Ser nosso melhor possível, com os talentos e fraquezas que a vida nos traz

Uma das minhas motivações para este site sempre foi ajudar as pessoas a descobrirem seus talentos e os colocarem a serviço do mundo. E isso nunca significou que temos que ser iluminados ou perfeitos. Muito pelo contrário. A vida é uma jornada e este despertar do nosso melhor leva tempo e muda ao longo das fases da nossa vida.

Hoje encontrei alguns paralelos com muito das ideias que defendo aqui no Pessoas e Talentos num dos lugares mais inesperados: um show de rock.

Fui num show do Gun´s and Roses, uma banda que idolatrava na minha adolescência.

Engraçado escutar aquelas músicas que mexeram tanto comigo há 20 anos atrás desta vez tocadas por senhores na casa dos 50 anos.

Antes do show li algumas críticas sobre a apresentação deles no Rock in Rio. Muitos jornalistas e parte do público criticaram a voz do Axl Rose. Não faltaram críticas também para a aparência envelhecida do vocalista.

Fui ao show de coração aberto, como um fã que estava feliz por somente estar ali. E muita coisa me chamou a atenção: a voz do Axl realmente não é mais a mesma, mas a partir da metade do show melhorou, não sei se por “aquecer” ou por que as músicas do setlist encaixavam melhor com sua voz atual.

Foi um show de 3 horas e 15 minutos. Qual é o artista que faz um show desta duração hoje em dia? Durante a apresentação não faltou dedicação, ficou claro para mim que todos no palco estavam dando seu melhor.

Alguém em sã consciência espera que um artista de 50 e poucos anos tenha a mesma voz de 30 anos atrás?

Saber envelhecer é uma questão mal resolvida para muitas pessoas no mundo atual. Isso fica claro no culto a aparência que domina a mídia e grande parte das pessoas. Para esta parcela, criticar artistas envelhecidos e que não conseguem mais repetir as performances de antigamente, serve até de terapia.

Mas se olharmos por outro lado, por que o Gun´s simplesmente não coloca um sintetizador de voz para corrigir os erros que a idade trouxe para o Axl? Por que aparentemente há uma preocupação ali em ser honesto, em mostrar o melhor que pode ser feito com quem eles se tornaram hoje, com mais de 50 anos de idade.

E para mim isso é o que conta: ser nosso melhor possível, com os talentos e limitações que a vida nos trouxe.

Ao invés de atirarmos pedras, precisamos começar a ter mais empatia por alguém está fazendo seu melhor com o que possui. Seja num escritório, escola, ONG ou num show de rock.

One comment

  1. Daniel,
    Bom dia!
    Vivemos com um desafio antigo com nova roupagem.
    Voltaremos novamente a abandonar os idosos e pessoas que não sabem fazer algo, igualmente nos tempos antigos e como vemos em filmes?
    Com a diferença que antes eram abandonados para morrer na floresta e não atrasarem a tribo, e agora, excluídos de um mundo novo, para morrerem isolados por não serem os melhores.
    Se abre um novo mercado de serviços e uma forma de aproveitamento de uma mão de obra não muito ágil, mas de muita experiência, que são as das pessoas de mais idade.
    Acesso a um telefone, ligar uma TV, utilizar um computador.
    Será que essa mão de obra que será maioria no futuro e que é vista sempre no noticiário como o a bomba relógio em contagem regressiva, pois vão quebrar as previdência no mundo inteiro não podem ser melhor aproveitadas?
    Cada um pode fazer o seu melhor, e ser melhor ainda, simplesmente com uma boa dose de empatia, paciência, até porque, temos que construir agora da melhor forma que pudermos, um excelente futuro para o cuidado com as pessoas acima da idade e que já não ‘cantam” como antigamente, pois estamos indo para lá.
    Forte abraço!

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