10 de ago de 2016

O maior legado da Rio-2016



Diversidade cultural. Algo tão belo e tão subutilizado. Imagine o quanto aprendemos com um estrangeiro quando partimos de uma simples premissa: nenhum povo é melhor do que outro, nenhum país é melhor do que outro. Somos apenas diferentes.

Participo com frequência de cursos, reuniões e projetos entre brasileiros e estrangeiros. Estes fóruns são sempre um grande aprendizado sobre a riqueza da diversidade cultural.

Os brasileiros em reuniões de negócio geralmente demonstram uma grande capacidade de relacionamento. São muito simpáticos, amáveis. Características que fazem parte da alma e do melhor do nosso povo.

Por outro lado, algo muito, mas muito comum, é ver brasileiros criticando seu próprio país. Uma cena que se repete: durante o almoço surge o tema política e os brasileiros pintam um quadro de um país devastado. A mensagem de fechamento é quase sempre a mesma: "este país não tem jeito, nunca seremos primeiro mundo".

Esta atitude de crítica em excesso, de muitas vezes só enxergar o "copo meio vazio", está muito presente em nossa cultura.

Nélson Rodrigues, já nos anos 1950, formulou a tese: "Por complexo de vira-lata entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima."

Semana passada tivemos a maravilhosa cerimônia de abertura das Olimpíadas de 2016. Uma festa que ficou marcada pela inovação e alegria, marcas registradas do Brasil. Mostramos ao mundo que o Brasil sabe fazer uma cerimônia em alto nível.

De tempos em tempos surgem eventos, pessoas, acontecimentos que nos desafiam a rever nosso complexo de vira-lata. Pelé e Ayrton Senna, só para citar dois ídolos, sempre trabalharam para estar no lugar mais alto do pódio.

Que os Jogos de 2016 deixem um grande legado para o Rio de Janeiro. Mas acima de tudo, um legado para a alma brasileira: acreditar e realizar nosso potencial. Os brasileiros não são melhores do que ninguém mas também não são piores...

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