11 de ago de 2014

O artista famoso que agora está falido...


Recentemente estive nos Estados Unidos a trabalho. 

Na correria aeroporto – hotel e vice-versa, me deparei com algumas lojas de conveniência. Sempre que posso faço uma parada para comprar um chocolate ou refrigerante para aliviar os sentidos após uma longa viagem me sentindo uma sardinha em lata por 12 horas.

Dei uma olhada nas revistas e um primeiro ponto que impressiona é a quantidade e variedade de revistas. Aliás, tudo neste país é grande ou gigante, desde pacotes de salgadinho até o tamanho dos carros.

Além disso, me chamou a atenção o foco das revistas de celebridades. Ao contrário do Brasil onde as matérias chapa branca são só elogios aos famosos, as revistas por aqui falam mal das celebridades. É comum dizendo algo como:

"Fulana foi traída por fulano".

"O artista X que era muito famoso há 20 anos agora está quebrando e prestes a virar sem-teto".

E por aí vai...


Fiquei refletindo sobre por que tanta diferença na cobertura norte-americana e brasileira.

Revistas de celebridade são fúteis por natureza. Falando bem ou mal, em 95% dos casos não acrescentam nada. Mas então por que elas vendem?

Por que precisamos fugir de nossa existência de vez em quando para olhar a vida dos outros. É a mesma dinâmica que se aplica ao Big Brother ou discutir como o casamento da sua prima vai de mal a pior, enquanto saboreia o almoço de Domingo.

Ninguém é de ferro. Todo mundo se deixa levar pelo ego e faz isso de vez em quando.

Confesso que até me senti bem lendo a capa das revistas que falavam mal das celebridades. Veio um pensamento mais ou menos assim: “tá vendo, sua vida não é tão ruim”. Certamente não só eu que me sinto assim lendo estas revistas e acho que é por isso que vende. Sentimos-nos melhor quando comparamos nossa vida com os problemas que os outros enfrentam.

Cultuar celebridades ou falar mal dos outros ativa em nós a mesma dinâmica. É o ego falando dentro de nós.

O ego que nos afasta do momento presente, dos sentimentos nobres pelos outros, da visão de que no fundo somos todos um, com os mesmos problemas, virtudes e potenciais latentes.

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