15 de abr de 2012

O Shopping Center é a Igreja mais frequentada do Mundo



As celebridades se tornaram os Deuses da vida moderna e o Shopping Center passou a ser a igreja mais frequentada do Mundo.

Está cada vez mais difícil acessar um site de notícias na internet que não esteja recheado de conteúdo sobre a vida das celebridades. O Terra aderiu totalmente à onda e até a Folha online, um portal que costumava prezar pela qualidade, criou a F5, uma área privilegiada no site e destinada a noticiar a vida dos importantes e sábios BBBs e artistas globais.

Cada um de nós também se transformou numa "mini celebridade", através do Facebook. O importante é ter uma página com fotos bonitas, muitos amigos e fazer cada um "curtir" nossa última viagem.

Você já viu alguém no Face com uma foto de perfil triste?

Eu nunca vi!

A regra número 1 para "se vender" e ter fãs: mostre que você é feliz e sua vida é tão boa que merece ser vista pelos outros.

Neste lógica, ter o que é mais belo, moderno e desejado é um fator fundamental para uma vida boa. E assim, COMPRAR virou uma palavra essencial no nosso dia-a-dia.

Tenha o novo iPhone, troque seu iPad a cada 6 meses, compre aquela bolsa de R$ 3 mil, faça aquela viagem para o exterior. Depois anuncie tudo isso para seus amigos no seu Face.

Comprar mais requer dinheiro extra e para isso temos que trabalhar muito e desejar uma promoção a cada 12 meses ou até mesmo trocar de empresa a cada 2 anos.

Este modelo de vida no qual o TER vale muito mais do que o SER cria um ciclo vicioso no qual viramos escravos do nosso trabalho para ganhar mais dinheiro, para comprar mais, para manter as aparências de que nossa vida é ótima, como a suposta vida das celebridades.

Será que este estilo de vida está nos deixando mais feliz?

Quando foi que nos tornamos assim?

Joseph Campbell sempre dizia que qualquer sociedade está em busca de um significado, um sentido maior para sua existência. Este sentido geralmente é traduzido pelos mitos, histórias fantásticas sobre Homens e Deuses que realizaram façanhas e nos deixaram lições para vivermos com mais sabedoria.

O que acontece com um sociedade que perde seus mitos?

"Aquilo com que nos defrontamos, no presente. Se você quiser descobrir o que significa uma sociedade sem mitos, leia o Times, de Nova Iorque.", disse Campbell em seu documentário "O Poder do Mito".

Quem eram nossos heróis há 50 anos atrás?

Talvez Gandhi, Martin Luther King, Juscelino Kubitschek?

Quem são nossos heróis hoje?

Os BBBs, Pedro Bial e seu conhecido no Twitter com mais de 2 mil seguidores?

Precisamos trabalhar menos, ganhar menos, consumir menos, nos expor menos e nos preocuparmos menos com a opinião dos outros.

Precisamos de novos heróis. Heróis verdadeiros, que não estejam dispostos a tudo pela vitória e aplauso.

Heróis que escreveram livros, ensinaram algo de valor, deixaram um legado.

Heróis com integridade entre discurso, pensamento e ação.

Campbell defendia a brilhante ideia de que cada um de nós é um herói em potencial e em cada dia de nossa vida recebemos o convite para participar de uma jornada de aprendizado, luta e crescimento.


Esqueça as celebridades. 


Busque novos heróis.


Seja um herói.

2 comentários:

  1. Ou seja, o facebook é um álbum de figurinhas; juntar "amigos" para se sentir feliz, ao invés de sentirmos felizes por sermos amigos.

    Viagens à parte. Eu vejo mais esse comportamento de celebridades na página do facebook "brasil" do que nos outros. Tenho alguns amigos que nasceram e moram em outros países, e ver a página deles é algo completamente diferente. Em suas páginas, o que vemos são momentos, alegrias cultivadas durante um dia com os amigos, uma viagem com os amigos. Não são festas e pessoas felizes. Você vê claramente que o objetivo, nas fotos, não é mostrar ao mundo o quão eles estão felizes, mas como eles são felizes.

    Eu acredito que o brasileiro ainda tem muito o que aprender. Parece-me que eles desejam chamar a atenção, dizer que estão vivos; querem um reconhecimento de sua existência, ao invés de serem felizes por fazerem parte de algo maior: a vida.

    Valeu pelo texto, Dani!
    Forte Abraço, meu velho!

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    1. É isso aí Binho. O Facebook é uma ferramenta fantástica e vejo que há muita gente que sabe usá-la para expressar suas opiniões e momentos especiais da sua vida, sem se preocupar em apenas ter mais audiência ou em agradar.

      Acho que esta valorização das celebridades é algo muito presente no Brasil, mas parece ser uma tendência mundial, infelizmente. Aqui na Inglaterra, se a rainha pisar numa mosca, aparece em todos os jornais :)

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