21 de ago de 2011

Apenas um Ônibus Vermelho


Hoje foi belo Domingo de Sol aqui na Inglaterra. Fui para Londres, aproveitando o tempo bom para conhecer um pouco mais os principais pontos turísticos da cidade.

A linha de metrô que eu precisava pegar não estava funcionando, então decidi ir de ônibus. Parei no ponto e tentei entender o mapa. Como todo turista de primeira viagem, fiquei alguns bons minutos olhando para o mapa sem entender direito como chegaria ao meu destino.

Achei melhor perguntar para alguém. Vi que ali perto, um senhor de uns 50 anos e aparência humilde, estava orientando outros turistas. Ele parecia feliz com a situação de poder “servir” aos outros.

Aproveitei a situação e perguntei como fazia para chegar ao meu destino. Ele me explicou com muita atenção e um belo sorriso no rosto.

No final, agradeci e quis saber se ele também esperava algum ônibus. “Sim, estou esperando o antigo.”, ele me disse.

Daqui há pouco, “o antigo” chegou. Coincidentemente ele levava ao destino que eu queria.

Aquele era um ônibus inglês diferente. Também vermelho e de dois andares, mas com entrada na parte de trás, cobrador (nos ônibus novos, cada passageiro tem que comprar o ticket previamente e mostrar ao motorista) e aquela cordinha que precisa ser puxada quando queremos descer. O design do “antigo” também era diferente, como as fotos demonstram:


O tradicional ônibus inglês


Modelo da frota atual


Assim que “o antigo” chegou, o senhor citado foi o primeiro a entrar. Sentou na primeira poltrona e se manteve sorridente durante toda a viagem.


Esta história me fez pensar no valor das experiências. O valor de andar num ônibus antigo, por quê trás boas memórias, por quê irá gerar uma boa história para contar ou por quê simplesmente é algo diferente.

As pessoas e as organizações estão se esquecendo do valor que cada experiência pode proporcionar. Na busca desenfreada pela melhor relação custo-benefício, os produtos e serviços tendem a se tornar apenas “mais do mesmo”.

Qual a real diferença entre um carro popular das 4 maiores montadoras do Brasil?

Quase nenhuma.

Talvez por quê as empresas estão muito mais preocupadas em otimizar seus custos, do que em realmente proporcionar experiências novas a seus clientes.

Ao chegar no ponto final da viagem, percebi que o belo e antigo ônibus inglês estava com a lotação máxima, enquanto outros ônibus modernos passaram ao nosso lado quase vazios.

No final, todos estavam em busca de uma experiência nova. Ninguém queria “mais do mesmo”.

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